Sábado à noite. Debaixo da água fria, começo a imaginar como serão as próximas horas. Posso prever boas conversas, risadas, diversão, e só voltar pra casa depois que amanhecer, mas sem saber que nada disso me aguarda. Dominado pela excitação, termino de me arrumar, encontro meus amigos e saio. A festa começa no caminho, com umas voltas de carro pela cidade. Mas minha noite é arruinada assim que chego lá.
Ela está com outro. Eu já sabia, e já devia ter me acostumado com essa visão, mas parece que cada vez é ainda pior. A excitação é substituída por frustração, e já sei que nada mais dará certo daqui pra frente.
Sei que devo voltar pra casa, mas resolvo arriscar e fico ali. Observá-la é inevitável, por mais que me torture. Meus amigos tentam me distrair, em vão. Já não vejo graça em mais nada.
As horas passam, mas só tenho uma imagem na cabeça. Uma imagem que não me agrada de forma alguma, mas me hipnotiza. Me prende de tal forma que não consigo dormir, e todo o resto perde o sentido.
Levanto no dia seguinte, ainda lembrando do que se passou nas últimas horas. E o amanhã nunca chega.
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Título por: Kyria :D
Ah, a dor. A dor existe para te lembrar de que está vivo, quando sua mente adormece por culpa da rotina. Para os vitoriosos, a dor serve como motivação, não como uma evidência da derrota.
Não tem a ver com masoquismo, não tem a ver com sentir prazer na dor. Tem a ver com saber aproveitá-la e usá-la como um benefício, como um passo a mais em direção à uma superioridade própria.
Aquele que se esconde quando encontra um obstáculo, nunca estará preparado para o mundo real. Este mundo é movido pela dor daqueles que sabem usá-la a seu favor, e se tornam mais fortes através dela. "O que não me mata, me fortalece".
Sinto falta de algo. Mas não sei exatamente o que é. Não sei se é algo que já tive, ou sempre quis ter. Só sei que sempre que penso sobre isso, fico alegre, pacífico, e desanimado ao mesmo tempo.
Tem algo a ver com amigos, e uma casa grande onde podemos ficar sozinhos. Mas não há festa, brincadeiras ou alvoroço. Há sim um longo momento de calmaria, em que me junto a mais dois fiéis amigos, e ficamos sentados no chão da sala pouco mobiliada e pouco iluminada. Experimentando bebidas refinadas, e com um semblante meio alegre e meio sério em nossos rostos, conversamos sobre trivialidades do cotidiano.
Não sei se é uma metáfora do meu subconsciente, ou se realmente desejo um momento como esse. Talvez seja as duas coisas. Mas sei que nunca serei realmente feliz vivendo aqui. Às vezes, mudar é preciso. Sinto necessidade de novos ares, mas com os mesmos amigos. Os verdadeiros amigos.

Minha cabeça pesa. O desânimo e o cansaço tomam conta do meu corpo, mas não consigo e não quero dormir. Tento me animar de várias maneiras, mas nada funciona. Só o que me resta é fazer o que sempre faço quando estou à toa em casa.
De tempo em tempo, deito na cama para descansar. Me sinto bem relaxado, mas o cansaço não some. Parece que ficarei cansado pra sempre. Uma leve dor de cabeça acaba me limitando mais do que deveria. E remédios não são uma opção.
Tento, em vão, me lembrar de como me curei nas últimas vezes em que me senti assim. Ouvir músicas, por incrível que pareça, não ajudava. Até me sinto mal por isso, como se estivesse ofendendo meu melhor vício. Beber água também não ajudou. Mas nunca achei que fosse ajudar mesmo. O refrigerante acabou, e não sabia fazer café. Perdi a chance de ser salvo pela cafeína.
Por fim, me entrego ao desânimo. Ainda tento me distrair um pouco, mas desisto rapidamente. Resolvo tomar um banho. A água fria acabou aliviando um pouco a dor de cabeça. Devia ter pensado nisso antes...
À medida que a noite cai, vou me sentindo mais leve. A dor de cabeça se foi, e meu corpo vai ressuscitando aos poucos. Levanto-me da cama, na qual estava deitado assistindo um bom filme, que já tinha visto outras trinta vezes. O telefone toca, e um amigo me chama pra sair. Quase não aceitei.
Já em casa, termino a noite da mesma forma como comecei o dia. Pareço morto. Me sinto morto. Estou morto. E o dia seguinte me aguarda.

Não há nuvens. A Lua flutua solitária no céu aberto, iluminando o que restou do lugar por onde caminho agora. As cruzes de madeira espalhadas no chão me fazem pensar naqueles que viveram uma mentira, e morreram cegos. O cheiro de morte, ironicamente, me enche de vida.
A brisa gelada levanta as folhas secas, revelando covas vazias à minha volta. Não sei se foram abandonadas, ou só estão esperando novos moradores. Os uivos ecoando ao longe trazem meu passado à mente, e vejo tudo que deixei para trás.
Mais à frente, penso ter visto um vulto em meio às árvores. Dou mais alguns passos, e me encontro em uma clareira. No centro, pedras antigas com desenhos estranhos formam um círculo perfeito ao redor de uma vela apagada. Minha vida passa diante dos meus olhos à medida que me aproximo. Sinto uma nova brisa repentina, e ouço passos rápidos às minhas costas. Mas não tenho tempo de me virar...
"Voilà! In view, a humble vaudevillian veteran, cast vicariously as both victim and villain by the vicissitudes of Fate. This visage, no mere veneer of vanity, is a vestige of the vox populi, now vacant, vanished.
However, this valorous visitation of a by-gone vexation, stands vivified and has vowed to vanquish these venal and virulent vermin van-guarding vice and vouchsafing the violently vicious and voracious violation of volition.
The only verdict is vengeance; a vendetta, held as a votive, not in vain, for the value and veracity of such shall one day vindicate the vigilant and the virtuous.
Verily, this vichyssoise of verbiage veers most verbose, so let me simply add that it's my very good honor to meet you and you may call me V."
O elevador. Qualquer um fica vulnerável nesse tipo de ambiente. Principalmente quando surge aquela presença inesperada, que trás fantasmas do passado à sua mente. Lembranças de mais uma das inúmeras desilusões amorosas que você já sofreu. Mas esta te marcou. O constrangimento toma conta do lugar, e não há pra onde ir, até que um dos dois sai.
Nos dias que se seguem, você revê aqueles breves momentos de silêncio em sua mente, e volta no tempo. Começa a se lembrar de como vocês eram próximos, mas não tanto quanto você gostaria. E quando você percebe, está sofrendo novamente por algo que passou há anos. Mas, por mais estranho que seja, isso não te faz mal. Este é um daqueles casos onde o que deveria te fazer sofrer acaba te dando mais sentido à vida. Porque, apesar de tudo, eram bons tempos. Pelo menos havia uma amizade.
Cada vez mais, você vai se lembrando daquela velha amizade. E então, o sentimento adormecido volta à tona. Mas desta vez, você está preparado. Sabe que não quer passar por tudo aquilo de novo, e sem o fator da amizade pra amenizar as coisas. Então você se controla, e logo dá um jeito de esquecer o que aconteceu, apagar as velhas lembranças e os velhos sentimentos.
Mas o problema é que esse tipo de coisa nunca se esquece. Nunca se apaga. Volta e meia você vai se lembrar dos velhos tempos, de como era bom gostar e estar perto da tal pessoa. E é inútil tentar usar novas paixões para esquecer as antigas. Todas elas te assombrarão pelo resto da vida.
Elas sempre voltam.
Saudade de você. Mas não só da sua pessoa.
Saudade de conversar com você por um tempo considerável. Saudade de você me atormentando. Saudade de poder te ver quase seis horas por dia. Saudade de te acompanhar até a sua casa, só para poder conversar mais com você. Saudade da sua alegria sem motivo e da sua instabilidade emocional. Sinto falta da sua companhia, sempre bem-humorada. Saudade dos seus pensamentos estranhos que surgiam do nada, e da inspiração que você me trazia. E ainda trás, mas já não vale mais a pena.
Saudade dos seus abraços reconfortantes e da sua preocupação em como eu me sentia. Saudade dos seus conselhos, até dos ruins. Saudade do seu olhar sobre a minha personalidade, mesmo quando não concordava. Sinto falta da sua própria personalidade, única e encantadora.
Saudade de uma amizade que você esqueceu.