terça-feira, 27 de agosto de 2013
Aéreo
Começo a criar uma ligação entre aviões e depressão. Se tornou meu lugar variável e pessoal de torturas emocionais. Pois a cada viagem, o coração fica pra trás.
E nasce uma lista de paixões temporárias, cada uma com uma história emocionante ou bizarra. Paixões que talvez dependessem só dos momentos, nunca das pessoas. Me sinto um psicopata do tempo, por mais que a vida devesse ser assim. Afinal, coisas boas nunca duram. Encontramos pequenos fragmentos da linha finita da felicidade que acompanha a interminável linha da vida.
De cima posso ver tudo, mas não vejo nada. A densidade dos pensamentos bloqueia minha visão, e só vejo passados. Aqueles que desejam ficar, voltar ou desaparecer. Um purgatório desorganizado, lotado e inquieto, quase vivo. O foco tarda, mas sempre chega. No meio da confusão, avisto o futuro.
Não costumo escolher futuros, sempre tão nebulosos. Escolho agora pela confusão do presente, prestes a formar um novo passado emocionante e bizarro. Desço do tempo que me carrega, pois ele já não sabe o que faz.
Alinhadas as direções, volto para os braços do acaso e deixo as preocupações para quem as necessita. Viver é mais interessante assim, adotando o não-saber. Constroem-se histórias espontâneas e valiosas para quem as necessita. Um anti-guia do futuro para os que sabem os caminhos do presente.
E aqui estou, aéreo, voando por maternidades e cemitérios.
domingo, 30 de junho de 2013
Aventura
Voei a observar as estrelas esta noite, com o Cruzeiro do Sul à minha direita e mil coisas a pensar. As idas não me inspiram como as voltas, mas tenho a quem lembrar sempre que me afasto. E lembro, no decorrer de uma época confusa, em meio a sentimentos confusos, daqueles que ficaram para trás. Depois busco companhia, pois cansei de pensar. Busco alguém que possa ocupar minha mente e me acalmar por um tempo. As consequências são ótimas noites de péssimo sono.
Observo o mundo abaixo, esperando vê-lo mudar de direção. Vítima do anseio por pedaços do passado que devem tardar a se repetir. Mas esqueço o impossível e prossigo, dividido e receoso. No passado não tinha nada e agora tenho demais. Mais do que se pode ter, mais do que um coração suporta. Opções que não podem caminhar juntas. Escolhas tão erradas e tão certas, que nunca imaginei ter de fazer.
Através da infinitude escura não vejo nada além do próximo passo, nem gosto de tentar. O fim nunca existe, mas alguém sempre tenta criá-lo em qualquer caminho visível, seja próprio ou alheio. Assim são feitos os desvios, às vezes enlouquecedores ou torturantes. São feitas as decisões precipitadas que precedem o arrependimento, às vezes também precipitado. São feitas declarações, despedidas, mais declarações e uma saudação correta ou algumas novas saudações egoístas. Mas o certo não espera pra sempre.
Vontades vão e voltam, e deixo que me levem junto. Não fui programado para negá-las. Podem me destruir, se me alegrarem antes. São as decisões precipitadas, que precedem o arrependimento que a mim nunca chegou. O fim é triste mas o começo não foi um erro.
E se tiver sido, eu não quero estar certo.
Vontades vão e voltam, e deixo que me levem junto. Não fui programado para negá-las. Podem me destruir, se me alegrarem antes. São as decisões precipitadas, que precedem o arrependimento que a mim nunca chegou. O fim é triste mas o começo não foi um erro.
E se tiver sido, eu não quero estar certo.
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Indecifrável
Vento frio num dia de sol. A mente vazia ganha brisas de inspiração que logo se esvaem. A tranquilidade plena não guarda pensamentos profundos. O dia passa e a mente passa o dia improdutiva a vagar, livre inclusive das preocupações que deveria ter.
A lua some em meio a chuva. A mente vazia torna-se densa ao unir palavras e frases soltas, a fim de libertar-se das angústias passadas e futuras, nunca presentes. Mesmo em tranquilidade plena a mente pode expor a arte que possui. Arte que nasce do cheiro dos livros, do som do ventilador e da cama desocupada. Nasce de tudo que compõe o nada; deuses pessoais agindo ao acaso.
Nuvens inertes guardam castelos em guerra enquanto transmitem paz. E a mente vazia é alimentada pela simplicidade, uma vez que se cansou do complexo. Vive entre livros em espera e novos amores, músicas antigas e velhas dores por nostalgia insegura de tempos nem tão distantes. Passa pela vida tentando viver, oferecendo algo além da existência monótona do apenas-mais-um. Corre em círculos tentando fugir.
Fugas são utópicas, graças à memória constantemente renovada. Todas as ações e escolhas ecoam eternamente, em forma de lembretes com bons propósitos. Há sempre novas luzes, novos ventos, outras nuvens e tormentos. Não existe vida sem problemas, preocupação é inútil. Dormir em território inimigo e acordar vivo é a melhor das conquistas.
Acordar debaixo de um sol que brilha contra chuvas, iluminando castelos e revelando fugas pela busca de recomeços em outras paragens. Selvagens aqueles que ficam, na crença de que são imutáveis ou capazes de criar algo melhor.
Porém toda ação é um código que denuncia outra. A atenção da mente vazia é quem molda a arte.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Lágrimas
Já podia ver as lágrimas no rosto dela, descendo devagar dos olhos claros. Apareciam como fantasmas, antecipando o fim. Transmitiam sentimentos que não desejava sentir ali. Tornavam mais densa a melancolia do ambiente. E desapareciam em seguida.
E já naquele momento, a despedida que ainda estava por vir mudou de sentido. Passou de um "até nunca mais" para "nos vemos em breve". Foram lágrimas que quebraram barreiras e o atingiram de tal forma, forçando-o a aceitar que havia perdido. A arriscar um futuro fadado ao fim. A crer na exceção.
E as noites. As noites que se tornariam tão solitárias e vazias, dando lugar às memórias felizes que o entristeciam por saber que não poderia mais tê-las no presente. Pensamentos não obedecem vontades. Agradeceu, porém, a capacidade sentimental que possuía; feliz por sentir-se vivo enquanto triste. Esqueceu dos princípios e deixou-se ter esperança. Um sentimento há tanto abandonado graças a uma escolha sábia. Mas o racional pode ser cansativo, e surge a vontade de arriscar.
Se deu conta de que nasceu como um colecionador de histórias. Percebeu que a única lógica que seguia era o rastro delas, pois mesmo os finais trágicos costumam pertencer a grandes histórias. Pessoas e lugares com algo a oferecer eram alimentos de um grande ego que só queria viver, sem se importar com resultados.
Então arriscou. Secou aquelas lágrimas e afastou os fantasmas que ele sabia que um dia voltariam. Ela abriu um sorriso tão real quanto aquela história seria. Um sorriso que ele se dedicaria a manter vivo.
Fez as memórias felizes voltarem, só porque era possível.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Medo
Fui traído pelo medo. Medo da rejeição, que eu não devia temer por estar acostumado a ela. O caminho mais seguro raramente é o melhor, e ainda assim insisto em seguir por ele. Ao seu fim, há sempre uma noite insone. Ou várias.
Deixei de arriscar, escolhendo conviver por dias e dias com o pior dos arrependimentos. Preferia não descobrir que o risco corrido se faria válido, que nenhum tipo de arrependimento ficaria pra depois. Mas das escolhas certas nascem bons momentos. Das erradas, nascem paixões.
E meus pensamentos voaram em busca de uma resposta, mesmo sem haver clareza na pergunta. Nunca esperaria nada da situação em que fui colocado, e eis que nasce outra grande história. Não posso dizer que é só mais uma sem final feliz, pois está longe de terminar. Encontrei dezenas de possibilidades e futuros distintos, mas nenhuma forma de trazer o momento de volta. Tive raiva de mim mesmo após a despedida e me perguntei a razão de ter ignorado tantos sinais, tentando me convencer a não fazê-lo de novo.
Pois quando menos se espera, surge alguém. Alguém que lhe rouba o coração com apenas um olhar, e às vezes é gentil o suficiente para compartilhar outros olhares, demorados, quase eternos. Olhares que ainda parecem estar lá, não importa o tempo que se foi.
Aquela chance pode voltar, mas seria uma rara excessão. Tantas já foram perdidas, deixando pra trás apenas a lembrança de ver o momento ideal escorregar pelos meus dedos, incapaz de fechá-los.
E todas as idéias que salvariam o momento, vindo a mim com atraso inaceitável.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Vazio
Os outros dançavam enquanto ele olhava pro nada, visualizando a infelicidade quase palpável de uma solidão acompanhada. Assumiu feições depressivas em busca de pena e conforto, e ninguém se importou. Saiu, envergonhado.
E ele sofreu enquanto a chuva caía lá fora. O som dos problemas era mais alto, e tudo parecia ruir. O que deveriam ser tempos alegres foram tomados por nuvens negras que traziam certa depressão. Os amigos pareciam distantes e ele não sabia por quem viver.
Madrugadas se foram a encarar o teto tentando descobrir a quem amava, pois queria amar de novo. O sofrimento desnecessário mais buscado pelo homem. A confusão o assombrava a cada reavaliação da própria vida, e descobriu que não se conhecia como imaginava. Um romântico sem esperanças transformando-se no que detestava.
O vazio o consumia. Andou contra as luzes da cidade pensando em como nada mais fazia sentido. As noites ficaram sem graça como as músicas que costumavam provocar sentimentos vivos. Ele não sentia mais nada. A barreira que ele próprio criou por proteção agora se voltava contra ele, bloqueando aquilo que o fazia miseravelmente feliz. Aquilo que ocupava sua mente nos devaneios noturnos, vagantes ou chuvosos. Aquilo que o fazia sentir-se vivo, com histórias pra contar.
Tornou-se quase um vício, depois do período de abstinência. Seu desejo o cercava onde quer que fosse, sem tocá-lo. Era torturante vê-lo por todos os lados, onde parecia se posicionar propositalmente. A concentração se tornava mais difícil a cada visão enquanto a mente se deslocava para cada vez mais longe, desobediente.
É preciso que existam demônios para se entender a importância dos anjos. E o que se precisa para seguir em frente é de uma frustração revoltante. Esqueceu então os problemas que eram abafados pelo som da chuva, e viveu como merecia.
Como um homem que sabe por quem viver.
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Lindas Tragédias
Sinto falta de me identificar com letras de músicas e ter em quem pensar ao ir dormir. Uma única pessoa a ser lembrada pelos filmes de uma noite fria. Lembrar, com sorrisos ou lágrimas secas, os momentos que ainda existem, nunca existiram ou morreram no passado.
As paixões vêm e vão rapidamente, e me vejo terminando músicas sobre quem ficou pra trás antes que eu pudesse continuá-las. Se tornam pensamentos incompletos de um coração inquieto e ansioso, percebendo que não existe o amor à primeira vista, mas existem pessoas que lhe roubam o coração apenas com um olhar. E o levam embora, deixando somente a sensação do vazio, absorvendo um olhar que nunca mais será encontrado. Um coração ansioso, porém vivo.
Depois do trauma criou-se um bloqueio, que não deveria ser derrubado. Ando por seus limites cautelosamente, tentando não cair do lado de fora. Seria trágico...sempre é. Sigo numa busca mais refinada e exigente, a fim de evitar decepções inevitáveis. Evitar as lágrimas que viriam se fosse capaz de chorar.
O amor é algo lindo em palavras. Até o sofrimento causado por ele é admirável, e inspira grandiosidades. Não existe a certeza de um final feliz, mas existe a da tragédia. A variante é o tempo que levamos até o fim. Até começar tudo outra vez.
Tudo se resume a segredos, que não seriam segredos se o óbvio fosse dito. Não há segredo. Há coisas simples que não são ditas e passam despercebidas, mesmo sendo a peça que faltava para o próximo passo. Consequentemente, vivemos a complicar o que deveria ser fácil.
A vida é um eterno livro de lindas tragédias.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Diretamente do túnel do tempo
Já que estamos no ~mês das crianças~ (apenas uma desculpa pra esse post), vejam aí dois textos muito profundos, inteligentes e maduros que fiz pra escola na sexta série:
Na minha opinião devemos comprar o que realmente gostamos, e não o que todos gostam. Comprar certos produtos só para impressionar pode acabar numa amizade falsa. As pessoas dizem ser suas amigas, mas só estão gostando mesmo da sua roupa de marca e do seu tênis. Todos sabem que ser popular é bom, mas podemos conseguir isso através da nossa personalidade. Sejamos nós mesmos."
A Moda
"Hoje em dia, a moda faz a cabeça de qualquer um. As pessoas são influenciadas através, geralmente, das propagandas de televisão. Às vezes, os jovens compram certos produtos só porque todos os seus amigos estão usando, mas na verdade nem gostam muito. Outros compram por causa da marca, que é famosa em todo o mundo. A única diferença de ter tais produtos é que seus amigos vão dizer "olha, que legal o seu tênis", por exemplo.Na minha opinião devemos comprar o que realmente gostamos, e não o que todos gostam. Comprar certos produtos só para impressionar pode acabar numa amizade falsa. As pessoas dizem ser suas amigas, mas só estão gostando mesmo da sua roupa de marca e do seu tênis. Todos sabem que ser popular é bom, mas podemos conseguir isso através da nossa personalidade. Sejamos nós mesmos."
Pais ajudam filhos a se conhecerem
"É normal um garoto de 11 anos ficar em casa, em vez de sair com os amigos?
Os pais tentam resolver essa e mais questões para ajudá-los na adolescência. Existem os que vão a qualquer festa, e os que preferem um livro.
Os pais observam o potencial dos filhos para assim orientá-los para terem uma boa adolescência.
O que os pais precisam é ficar seguros com a decisão dos filhos. Para que se preocupar se o filho se sente melhor sendo diferente dos outros?"
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