sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Alegrias impossíveis



Sei onde sua mente está. Sei onde ela tem passado os últimos dias, até meses. Anda vagando bem longe da sua casa, enquanto você decide se tenta trazê-la de volta ou não.

Seus pensamentos não deveriam estar tão longe. Sei o que os atraiu, e infelizmente não foi sem querer. Mas agora se sente confusa, pois as alegrias que sua mente busca estão fora de alcance. E se as pudesse ter, trariam tristezas. Você está presa num dilema bobo, causado por químicas conflitantes.

 Às vezes você fraqueja e desobedece a razão. Pega o telefone e disca os números proibidos. Depois do desabafo e das histórias antigas, vai dormir sentindo-se mais leve. Ao menos enquanto a consciência não pesar, quando sua mente voltar pra casa por um instante.

Mas ela logo viaja outra vez, sonhando com o que não pode ter.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Cinzas, copos e lembranças



Ela sentia falta do desajuste, das situações desconfortáveis, das desilusões. A aventura que era buscar alguém igualmente desajustado.

Já quase não sabia mais o que era sentir-se assim. Acomodou-se, feliz com o que tinha, mesmo querendo mais. Preferia os momentos às pessoas. Eram mais simples e quase não carregavam responsabilidades — características que se encaixavam perfeitamente à sua personalidade.

Mas depois de tantas alegrias e tristezas tristezas principalmente — espremidas em seus vinte e poucos anos, cansou de amar. Abusara do sentimento por toda sua vida, experimentara todas as suas formas e descobriu enfim que não era como queria viver. Ela desistiu do romantismo como quem se cansa de uma música.

Entregou-se ao quarto vazio, carregado de cinzas, copos pela metade e lembranças. Ao se deixar levar pelo folk melancólico que saía do celular jogado na cama, pôde finalmente voltar a sentir as idéias fluindo. Terminou desenhos que havia abandonado, retratando paixões do passado. Começou outros, que mostravam multidões de pessoas solitárias.

Os livros de ficção voltaram a alimentar suas madrugadas. Cada história era uma morte e um renascimento. Aliviavam o terror que era pensar no futuro. E quando não lia, pensava em fugir. Aquele lugar não servia mais, nem aquelas pessoas. 

Sua ambição era transcendental. O que desejava ser e fazer não cabia em seu pequeno corpo. Adoraria transformar todas as histórias que leu em uma só, e vivê-la.

E ninguém a impediria de tentar.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Não era amor




É engraçado quando perguntam algo já sabendo a resposta. No fundo, esperam uma resposta diferente, uma surpresa. Mas ela não vem. Somos todos previsíveis.

Por isso ele veste interrogações e a olha de longe, quando já está mais perto do que deveria. Foge das previsões, bate na porta das inspirações, mas ainda busca as palavras-chave para impressionar. Só que ela também veste interrogações, foge das suas palavras e o deixa desarmado.

O que lhe sobra são devaneios noturnos sobre os dias frios que se seguem. A história não é longa, então uma mesma frase se repete por várias horas de roteiro sem ação. A ação, por sua vez, quase não passa de uma série de olhares.

Mas são olhares que atingem a alma. Olhos que não se cansam do que vêem, nem de tentar atravessar as interrogações. E tampouco sabem quando parar, pois são correspondidos.

O olhar dela também o acompanha, embora ela negue para si mesma. Não entende totalmente o que vê, mas lhe faz bem. Anseia por sua presença, que carrega consigo uma calmaria de dias chuvosos e uma vontade de fugir.

Mas não há fuga de tal situação. Seu fim é incerto, mas previsível como nós. As versões criadas na imaginação não aconteceriam, pois seria trágico antes de ser bonito. E mesmo assim, seguiam se observando.

Não era amor que os ligava, mas era tão forte quanto. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Observando



Já faz um tempo desde a última vez que parei para observar. Admirar ruas vazias e estrelas frias que passam pela janela. Um costume de melancolia noturna, na sua época de constância.

Observava esperando uma resposta às minhas perguntas silenciosas. Talvez o vento a traria. Esperei inconsciente na varanda fria, acreditando que não importava. Não me importava. Ocupava a mente com canções sobre saudades, tantas que eram. Cansado de tentar antecipar o futuro, deixei que viesse sozinho enquanto observava o passado de longe.

E o futuro veio, incerto e discreto, quase passando por mim. Riu dos meus planos e me deu um melhor — algo tão raro que ainda não sei se acredito. Trouxe também a resposta que eu esperava, e me pôs a buscar elementos para descrevê-la. Deu um fim à constância da melancolia noturna.

Agora, as noites são preenchidas com alegrias compartilhadas constantemente, sem espaço para uma olhada triste pela janela. Deixei de observar as ruas vazias para percorrê-las acompanhado. Deixei de admirar solitário as estrelas para conversar sobre elas. Divido tudo o que me agrada e me sinto completo. Entre novas músicas, um solo para o passado e duas vozes para o futuro.

Um futuro que sempre irei querer pra sempre.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Livros de 2012

Resolvi finalmente continuar minha lista de livros iniciada em 2011. Vamos lá:


1) Dragões de Éter - O primeiro da trilogia, Caçadores de Bruxas, está na lista de 2011 pois já estava na metade quando escrevi, mas só terminei de ler em janeiro. Os dois últimos livros não decepcionaram, formando uma série absolutamente incrível. Leitura obrigatória.

2) O Temor do Sábio - Segundo livro da trilogia A Crônica do Matador do Rei, de Patrick Rothfuss. Conta a história de um jovem e inteligente arcano chamado Kvothe, que se torna uma lenda viva após realizar feitos incríveis. Se Dragões de Éter é uma leitura obrigatória, não ler esta trilogia é o maior erro da sua vida.

3) Renascença - O primeiro da série Assassin's Creed, escrita por Oliver Bowden e baseada nos jogos de Patrice Desilets. Ótimo pra quem gosta de história e ação.

4) Todo Dia Tem Uma Merda - Um e-book grátis feito pelo blogueiro e youtuber Izzy Nobre, compilando textos sobre sua vida publicados no blog Hoje é Um Bom Dia. É de graça, é engraçado, vai lá baixar o seu.


Já adianto que a lista de 2013 vai ter no máximo 2 livros.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Nosso maior medo



"Nosso maior medo não é sermos inadequados.
Nosso maior medo é sermos poderosos além da conta.
É a nossa luz, e não nossa escuridão, que mais nos apavora.
Ser pequeno não serve ao mundo.
Não é nada sábio se encolher para as outras pessoas não se sentirem inseguras ao seu redor.
Todos nós fomos feitos para brilhar, como as crianças brilham.
Não está apenas em alguns de nós, está em todos nós.
E enquanto deixamos a nossa luz brilhar,
nós inconscientemente damos a outras pessoas a permissão de fazer o mesmo.
Enquanto nos libertamos dos nossos medos, nossa presença automaticamente liberta os outros".


retirado de Coach Carter - Treino para a vida

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Escrevi quando...



Quando quis criar um texto que tocasse as pessoas de alguma forma.
Quando falei sobre aqueles momentos de solidão, mesmo quando se está cercado de amigos.
Quando simplesmente demonstrei uma sincera revolta.
Quando quis deixar claro que destino não existe.
Quando o que escrevi deixou de ter significado.
Quando me proclamei mestre das desilusões.
Quando defendi o caos.
Quando percebi a ausência das nuvens.
Quando desejei uma noite calma entre amigos.
Quando retratei uma rotina perdida.
Quando desapareceram aqueles momentos de solidão.
Quando arruinei uma teoria.
Quando percebi que conclusões simples geram idéias fantásticas.
Quando tive saudade.
Quando tentaram mudar meus ideais.
Quando me afastaram.
Quando cansaram de mim.
Quando dormi em frases perfeitas.
Quando tive vontade de fugir.
Quando me senti nostálgico.
Quando falei da magia dos livros.
Quando me afastei.
 

E quando me arrependi.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Como você vê o mundo?

Olá leitora, olá leitoro.

Queria falar rapidamente com os senhores sobre esse projeto que comecei com o Samuel Ribeiro, chamado Como Você Vê o Mundo? (http://cvvom.tumblr.com)
 

É primeiramente um projeto de faculdade, mas se der certo poderá continuar sendo atualizado. A idéia é descobrir como diferentes pessoas encaram o mundo e a vida, de uma forma geral. Resolvi divulgar aqui porque é onde está a minha resposta para a pergunta, dividida entre vários textos.

Enfim, há também uma página do projeto no Facebook. Se puderem clicar e curtir, fico agradecido. Aliás, quem quiser participar, é só falar comigo ou com o Samuel.

É isso, até mais.